Uncategorized

As maiores gambiarras da indústria automotiva brasileira

No mercado automotivo brasileiro, é possível encontrar exemplares que são considerados verdadeiras “gambiarras” devido ao reaproveitamento de componentes de outros veículos ou pela falta de evolução e adaptação às demandas do mercado. Apesar disso, nem todos os modelos classificados como “gambiarras” são ruins, alguns possuem características razoáveis, enquanto outros sofrem de problemas que apenas um projeto novo poderia solucionar.

O Volkswagen Gol, por exemplo, foi lançado em 1980 com a plataforma adaptada do Passat, motor 1300 arrefecido a ar e traços inspirados no Scirocco. Embora tenha agradado em termos de desenho e chassi, o motor fraco exigiu a adaptação do motor 1600, com o estepe sendo alocado no bagageiro. A segunda geração, lançada em 1994, apesar de apresentada como um modelo totalmente novo, ainda mantinha a plataforma baseada na BX e o motor longitudinal, sendo sujeita a dois facelifts conhecidos como “Gol Geração 3” e “Gol Geração 4”.

Outro exemplo é o Chevrolet Celta, lançado em 2000 como o carro mais barato do Brasil, aproveitando o motor 1.0 do Corsa Wind de 1994 e a plataforma do Corsa A, que remonta a 1983. Adaptações foram feitas, como a posição deslocada da coluna de direção para a esquerda, oriunda do Chevette. Após ganhar motores mais potentes, o modelo passou por um facelift em 2006, mantendo uma plataforma com 23 anos.

O Fiat Linea, por sua vez, compartilha a plataforma esticada do Punto, combinando elementos novos com a plataforma do Idea, tornando-o estreito em relação aos concorrentes. Além disso, compartilha com o hatch o para-brisa e as portas dianteiras, e seu motor 1.9 16V é derivado do 1.6 16V do Palio de 1996, tendo vendas abaixo das expectativas.

A Ford também fez suas gambiarras com o Ka, que teve um novo modelo desenvolvido especialmente para o mercado brasileiro, utilizando peças do modelo anterior e parte da estrutura da picape Courier. Após o lançamento, o Ka foi um dos carros mais vendidos do país, apesar das críticas iniciais.

O Del Rey, da Ford, foi construído sobre a plataforma do Corcel II, apresentando estilo inspirado no Ford Granada. Apesar de oferecer conforto semelhante ao Landau, o espaço interno foi comprometido pela distância entre eixos. Com a chegada do Chevrolet Monza, que oferecia mais espaço interno e estilo mais jovem, tornou-se difícil competir no mercado.

Já a Volkswagen utilizou a plataforma B2 nos modelos reestilizados do Santana e no Ford Versailles. Após o fim da Autolatina, a Ford descontinuou o Versailles, enquanto a Volkswagen manteve o Santana em produção até 2006.

O Renault Clio Sedan, apesar de ser posicionado acima do Logan, acabou sendo esquecido devido ao seu visual desatualizado, levando a uma renovação apenas estética para torná-lo mais atrativo. O mesmo aconteceu com o Peugeot 207, que ganhou nova frente e interior baseados no 207 europeu, porém não agradou totalmente.

O Vectra, da General Motors, passou por reestilizações e mudanças mecânicas enquanto ainda utilizava a plataforma original GM2900 de 1988. A partir de 2005, a GM montou um Astra europeu sobre a plataforma do Astra B, perdendo sistema de suspensão multibraços e mantendo o motor 2.0 do Monza.

A Fiat Strada, apesar de seu sucesso, era uma evolução de um modelo lançado em 1998, que passou por diversas atualizações visuais, mas ainda mantinha a mesma geração. Ela apresentou inovações com as configurações cabine estendida e cabine dupla.

A Honda apostou no WR-V, feito em cima do Fit, oferecendo mudanças estéticas e de suspensão para se posicionar como um SUV. Entretanto, o WR-V é mais caro e menos equipado que o Fit. Já o Renault Captur brasileiro foi construído sobre a plataforma do Duster, tendo acabamento interno mais simples, menos equipamentos e mecânica menos avançada em comparação com o modelo europeu.

A Chevrolet Montana de última geração foi diretamente influenciada pelo Agile, compartilhando a base do Corsa B utilitário. Devido a uma baixa demanda, a montadora descontinuou a Montana para se concentrar no desenvolvimento de uma picape maior e mais moderna.