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Os carros mais famosos por suas gambiarras na indústria automotiva brasileira

No mercado automotivo brasileiro, é surpreendente como quase todas as montadoras já fizeram – ou ainda fazem – algumas gambiarras para oferecer soluções diferenciadas aos consumidores. O Chevrolet Agile, por exemplo, é considerado uma das maiores gambiarras da indústria automotiva brasileira. Os carros “gambiarras” são modelos que nasceram reaproveitando diversos componentes de outros veículos, ou que deveriam evoluir, mas pararam no tempo, sofrendo os impactos da pesada tributação brasileira. No entanto, nem sempre esses modelos são ruins. Alguns são bastante razoáveis, mas outros sofrem – ou sofreram – de males que somente um projeto novo poderia salvar. Confira os principais exemplos na história recente da indústria automotiva brasileira:

Na década de 70, a VW começou a planejar o sucessor do Fusca, que já não conseguia enfrentar concorrentes como o Chevette e o Fiat 147. O Gol foi lançado em 1980 com a plataforma adaptada do Passat e motor 1300 arrefecido a ar emprestado do Fusca, com linhas inspiradas no Scirocco, e instrumentos do painel vindos da Variant II. Apesar do desenho e chassi agradarem, o motor era considerado fraco demais, sendo necessário adotar o motor 1600 arrefecido a ar, porém, o estepe precisou ser adaptado no bagageiro. A segunda geração do Gol foi apresentada como um carro totalmente novo, mas na realidade a plataforma continuava baseada na BX e o motor era longitudinal. Passou por dois facelifts, conhecidos como “Gol Geração 3” e “Gol Geração 4”. O Celta entrou na lista de gambiarras devido à sua origem: é um Corsa com roupa simples, aproveitando o motor 1.0 do Corsa Wind de 1994 e a plataforma do Corsa A, lançado pela Opel em 1983. Além disso, as adaptações fizeram a coluna de direção sair deslocada para a esquerda, como no Chevette.

O Linea deriva do Punto, usando a plataforma esticada, porém, no Brasil, essa plataforma mistura elementos novos com a do Idea, derivado do Palio, deixando o Linea estreito em relação aos concorrentes e se tornando uma gambiarra. Compartilhando o para-brisa e portas dianteiras com o hatch, o motor 1.9 16V era derivado do 1.6 16V do Palio de 1996. Por fim, o Ka foi desenvolvido especialmente para o mercado brasileiro, misturando peças do antigo Ka e parte da estrutura da picape Courier, corrigindo os pontos fracos da geração anterior e tornando-se um rival para o Mille. O Ford Del Rey foi baseado no consagrado Corcel II, mantendo a mesma plataforma, motor CHT e imensas portas, apesar de ser um carro maior e consequentemente mais pesado, comprometendo o desempenho.

A plataforma B2 da Volkswagen foi utilizada na reestilização do Santana, replicada no novo Ford Versailles. A Renault lançou o Clio Sedan com uma carinha mais moderna, reaproveitando o Clio sedã de 1999. A Peugeot decidiu “renovar” o 206 para lançar o 207 Brasil, também adaptado para o mercado brasileiro.

O Vectra, com reestilização baseada na plataforma original GM2900 de 1988, manteve motores e interior renovados, mas o Astra C europeu foi montado sobre a plataforma do Astra B de 1998, perdendo a suspensão traseira de multibraços. Inicialmente anunciado sua proposta comercial, a Fiat viu oportunidade de lançar o Doblò para passageiros, que não entregava tanto conforto e isolamento acústico. O Chevrolet Agile, por outro lado, nasceu no auge da crise que assolava o mercado norte-americano. Com uma plataforma antiga do Corsa B, o Agile teve uma série de cortes de custos e uma boa lista de equipamentos. Já a Fiat Strada, mesmo com sua última versão lançada em 1998, trouxe inovações, como a primeira picape compacta cabine estendida e a configuração cabine dupla. O Honda WR-V, com um visual diferenciado e algumas modificações mecânicas, não deixou de ser basicamente um Honda Fit modificado. A Renault construiu o Captur nacional em cima da plataforma do Duster, mesmo tendo um projeto original russo. Além de mecânica menos avançada e acabamento interno mais simples, recebeu uma versão sedã com um porta-malas atrás do hatch. Por fim, a Chevrolet Montana de última geração foi um Agile com caçamba, utilizando uma plataforma mais antiga.